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Sucessão familiar na indústria moveleira foi tema de Webinário

05/08/2020

Eventos online semanais, patrocinados pela Movelpar 2021, abordam temáticas estratégicas e promovem o debate entre empresários e profissionais do segmento

O setor moveleiro está dentro do contexto da economia brasileira onde mais de 80% dos negócios são de controle ou gestão familiar. A informação foi compartilhada pelo Leia Wessling, sócia diretora da Light Source e coordenadora do IBCC/SC durante Webinário realizado em julho pela plataforma “Setor Moveleiro”. Segundo ela, os números, por si só, já indicam algumas potenciais forças para a continuidade dos negócios como a capacidade de desenvolver relacionamentos de longo prazo, valores e princípios mais perenes e um compromisso com o seu entorno como comunidade, clientes, funcionários, parceiros.

“Este setor também traz características bastante pragmáticas e um envolvimento não apenas econômico, mas também emocional com o próprio negócio. Tanto para as empresas longevas quanto para aquelas com menos de 10 anos de existência, a Sucessão Familiar é um desafio que deve ser tratado com muito cuidado pelas famílias empresárias do setor. Primeiro, em razão da necessária descentralização de poder e liderança quando se tem a primeira e segunda geração interagindo nos negócios - e este processo acontece, não de maneira indolor, por pelo menos cinco anos. Segundo, que as novas gerações têm demonstrado maior interesse por movimentar-se ao redor do mundo e também por empreendimentos voltados à tecnologia. Isso pode aproximá-los dos negócios familiares na medida em que percebam espaço para aplicarem suas novas ideias e empreenderem na diversificação dos negócios familiares ou pode gerar crises e afastamento por uma mudança de entendimento sobre o uso dos recursos naturais e das novas tecnologias”, afirmou.

Para Leia, que também é psicóloga, o processo de sucessão familiar precisa ser iniciado o quanto antes, a partir do entendimento dos sócios sobre suas expectativas a respeito da participação de familiares na gestão dos negócios, do patrimônio e da própria família. “No caso de setores "hand on", os familiares costumam ser envolvidos no negócio desde crianças, criando vínculos tanto com a rotina da família empresária quanto com os negócios. Mas, este vínculo, por si só, não garante a manutenção da competitividade ou o crescimento dos negócios no futuro. A decisão, no processo sucessório para a gestão dos negócios, precisa estar vinculada prioritariamente aos interesses do próprio negócio, no médio e longo prazos”, argumentou.

Sobre o cenário atual do período de pandemia da Covid-19, Leia relata uma aceleração do que já vinha sendo compreendido como tendência quanto à forma de condução dos negócios, no relacionamento com o mercado e nos modelos de liderança e gestão. “A presença maciça da tecnologia tem aproximado pessoas e negócios. O consumidor tem feito escolhas mais conscientes e baseadas num compromisso socioambiental e de propósito das empresas e de seus produtos, assim como da liderança tem sido demandado maior descentralização para se recriar o sentido e a participação das pessoas na busca pelas soluções e o futuro”, disse.

Segundo ela, isso quer dizer que, no contexto da sucessão familiar, a preparação deve ser feita para a convivência e adaptação a este novo cenário, onde a inovação se dará tanto no processo de contratação e dispersão das equipes, que podem estar dispostas ao redor do mundo com seus próprios empreendimentos e capacidade de multiplicar a produção e a entrega da empresa contratante ou parceira. “Até então a liderança tinha um papel maior de "supervisão" do tempo e dos movimentos das pessoas, e exercita agora a capacidade de confiar sem ver, de criar outros critérios de desempenho, que traz menor valorização do esforço e maior do resultado. Assim, a gestão, a comunicação e as relações profissionais do ponto de vista da sucessão familiar serão oportunidades e indicadores para uma maior integração dos jovens nos negócios da família”, destacou.

Leia ressalta que as demandas de exportação da indústria moveleira e sua capacidade de expandir-se para novos modelos de negócios, somada às evidências a respeito da responsabilidade ambiental, social e a governança das empresas, serão fortes indicadores para captação de recursos, escolhas do consumidor e para a confiança que se construirá na medida em que a sucessão familiar aconteça. “É preciso investir no desenvolvimento deste novo mindset da liderança para a continuidade das empresas familiares. Esta é a chave está no processo sucessório”, afirmou.

Educação e planejamento

Graça Berneck Gnoatto, Diretora Comercial e de Marketing da Berneck, que também participou do Webinário sobre a temática da sucessão familiar, afirmou que o investimento em educação de ponta para todos os integrantes da família e o contato desde cedo com temas referentes a governança, união da família e responsabilidades dos herdeiros, são fundamentais. “Transparência e olhar para geração de valor devem ser uma constante. Regras claras para todos e exercício de formalidade em reuniões para a família, como em um conselho, fazem a cultura de governança brotar. Ter esta agenda sempre presente só traz benefícios para a longevidade dos negócios. Nada melhor do que membros da família atuando no negócio, arregaçando as mangas, se envolvendo de cabeça com o foco do "negócio sempre em primeiro lugar", sem desvios para intrigas pessoais e egos de poder”, avalia.

Adriana Stahelin, Diretora Presidente da Estofados Jardim, presente no debate, destacou que as empresas familiares precisam ser estimuladas a pensar na sucessão com a visão de perpetuar o legado do fundador. “Considero a importância da sucessão familiar em qualquer cenário, pois é uma necessidade. A mudança e a renovação são muito importantes nas organizações, mas sempre realizada com planejamento, tempo hábil e acompanhamento”, afirmou.

 

 

 

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